
O conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã se estende há um mês, causando a variação no preço internacional do barril de petróleo em março. Sendo esta uma das commodities mais importantes para qualquer país, especialistas consultados por Autoesporte relataram que os preços dos combustíveis devem variar nos postos, ainda que o risco de desabastecimento seja mínimo.
Sendo assim, o motorista brasileiro já prepara o bolso para gastar mais ao abastecer nas próximas semanas. Embora o preço médio da gasolina seja de R$ 6,65 no país, de acordo com indicadores da Petrobras, cidades como Salvador (BA) registram valores de até R$ 7,99 o litro a partir da segunda-feira (23). Em outras regiões do país a tendência de alta também se confirmou — e até o etanol, derivado da cana-de-açúcar que não tem seu preço atrelado a indicadores internacionais, registra variação.
Neste momento de tensão internacional, além de se planejar financeiramente para gastar mais, o motorista pode seguir algumas práticas para conduzir de forma mais eficiente. São fatores relacionados ao próprio comportamento ao volante (que incluem vícios e exigem um processo de reeducação) e até a disciplina na manutenção do veículo. Autoesporte consultou especialistas que deram dicas sobre como economizar combustível. Confira abaixo:
O modo de condução tem grande influência no consumo de combustível do seu veículo. De acordo com André Mendes, professor de Engenharia Mecânica do Centro Universitário FEI, acelerações bruscas, frenagens fortes e trocas de marcha constantes podem ser fatores impactantes quanto ao consumo de gasolina.
"Se você acelera muito, acaba 'esticando a marcha' — ou seja, o giro do motor sobe e o consumo aumenta. A frenagem é um bom indicador: se você freia muito, logo vai precisar acelerar de novo, e esse 'vai e vem' também gera maior consumo", aconselha Mendes.
Vale destacar que há uma diferença entre dirigir na cidade e na estrada. No ambiente urbano, o trânsito intenso, os semáforos e os limites de velocidade mais baixos resultam em um padrão de “para e anda”, que aumenta o consumo de combustível. Nas rodovias, no entanto, a condução tende a ser mais contínua e suave, favorecendo a eficiência e reduzindo o gasto.
Dessa forma, o ideal é, além de realizar as trocar as marchas no tempo certo, antecipar o trânsito. Em outras palavras, evite movimentos bruscos ou reações de última hora. Em situações como um engarrafamento próximo a um semáforo, por exemplo, ao perceber o sinal vermelho mesmo com uma fila de carros à frente, procure reduzir a velocidade gradualmente em vez de mantê-la constante e frear de forma repentina.
O que é aerodinâmica? Trata-se de como o ar se move ao redor do veículo para melhorar o desempenho. Isto é, quanto mais o carro enfrenta resistência do ar, mais força o motor precisa fazer.
Dessa forma, existem alguns fatores que prejudicam esta força de atrito exercida pelo veículo. Entre eles estão: adornos na antena de teto e acessórios sem uso, como rack e bagageiros. No entanto, dois outros agentes também merecem atenção: janelas e ar-condicionado. O professor explica:
"O vidro fechado torna o carro mais aerodinâmico. Quando você anda, o carro precisa mover o ar, e se a janela está aberta, esse fluxo fica mais difícil, o que aumenta a resistência e o consumo. Porém, o ar-condicionado também consome combustível, porque precisa de energia para funcionar. Então, em baixa velocidade, andar com as janelas abertas pode ser mais econômico. Mas em rodovia, com velocidades altas, o efeito aerodinâmico pesa mais, e é melhor andar com as janelas fechadas, mesmo com o ar ligado".
Em resumo, em velocidades baixas, prefira circular com as janelas abertas e o ar-condicionado desligado. Já em velocidades altas, mantenha as janelas fechadas e use o ar-condicionado para garantir melhor economia de combustível.
Manutenções regulares também são essenciais. Segundo o mecânico Johnny Oliveira, trocar o óleo fora do prazo, por exemplo, afeta no consumo do carro, pois, com o aumento do atrito e mudança da viscosidade, as peças se movimentam com maior dificuldade:
"O óleo velho perde a lubrificação e o motor trabalha forçado. Isso resulta em mais atrito, mais calor e mais consumo. Além de aumentar o risco de desgaste nas peças", diz.
Segundo o profissional, o motorista também deve atentar-se à calibragem dos pneus:
"Pneus murchos aumentam o atrito com o solo, e o motor precisa trabalhar mais pra mover o carro. Só isso já pode elevar o consumo em até 10%. Além disso, é fundamental utilizar aditivos de limpeza do sistema de injeção eletrônica. Como dono de oficina, recomendo aplicar esse aditivo a cada seis meses ou a cada 10 mil quilômetros. Ele ajuda a manter o sistema limpo, melhora o desempenho do motor e contribui para a longevidade do veículo", analisa.
Carregar objetos desnecessários no carro pode parecer inofensivo, mas afeta diretamente o consumo de combustível. Quanto maior o peso total do veículo, mais esforço o motor precisa fazer para colocá-lo em movimento e manter a velocidade, o que aumenta o gasto energético.
Além disso, o excesso de carga sobrecarrega suspensão, freios e pneus, elevando o atrito com o solo e reduzindo a eficiência do conjunto. Em veículos automáticos, o impacto é ainda maior, já que o câmbio tende a trabalhar em rotações mais altas para compensar o esforço.
De acordo com especialistas, a cada 50 kg extras, o consumo pode subir de 1% a 2%. Por isso, vale a pena revisar o porta-malas e deixar de lado tudo o que não for essencial para o dia a dia.
Muitos têm o costume de aproveitar preços atrativos em postos de combustível para encher o tanque do carro até o limite. No entanto, a prática não é recomendada por profissionais, pois pode diminuir a saúde do veículo.
Segundo André Mendes, quando se enche o tanque até o limite, pode ocorrer transbordamento de combustível em componentes que são projetados para lidar apenas com gases, como o cânister. Apesar de a prática não afetar diretamente o consumo, há a possibilidade de causar problemas no sistema. Trata-se de uma questão de recomendação operacional, mais do que de eficiência.
O mecânico Johnny Oliveira adverte: "Além de poder danificar o sistema de evaporação do combustível, o excesso pode causar desperdício e até aumentar a pressão no tanque. O ideal é parar no automático da bomba. Encher até o gargalo não traz vantagem nenhuma", alerta.
Com a mudança de alguns hábitos no dia a dia e a adoção das boas práticas mencionadas neste artigo, é possível economizar até 50% de combustível, explica o mecânico:
"O que muita gente ignora no dia a dia, faz diferença no bolso. O principal é manter o carro bem regulado, calibrar os pneus toda semana, evitar acelerações e frenagens bruscas, trocar o óleo no prazo certo e não andar com o carro pesado à toa. Parece básico, mas somando tudo, dá para cortar até metade do gasto de combustível , dependendo do caso".
Embora o desabastecimento não seja tangível, mesmo com a guerra se prolongando, economistas consultados por Autoesporte concordam que o preço da gasolina pode aumentar ainda mais ao longo das próximas semanas. O governo brasileiro monitora a variação internacional do barril do petróleo e vem concedendo subsídios a importadores.
“O petróleo é um produto muito importante para qualquer nação, emergente ou desenvolvida. Nossa indústria de gasolina visa um consumo predominantemente familiar, e pesa muito no orçamento [...]. O governo faz o que pode para mitigar a alta nos preços”, disse André Braz, coordenador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
“Se o governo mantiver o preço da Petrobras defasado, o que pode acontecer é o desincentivo à importação. O Brasil não é autossuficiente em tudo [...]. Por isso, o governo está oferecendo uma linha de subsídios para importadores [com o objetivo de conter o preço]”, afirmou Alexandre Chaia, economista e professor de finanças do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).
Fonte: Autoesporte
