
A gestão de frotas no Brasil segue avançando na terceirização, mas ainda enfrenta desafios relacionados ao uso de tecnologia e à segurança. Essa é uma das conclusões do Anuário de Gestores de Frotas 2025, levantamento realizado pelo Comitê de Gestores de Frotas e Mobilidade de São Paulo (CGFM-SP).
Participaram da pesquisa 169 gestores de frotas — 60,4% deles baseados em São Paulo e o restante de outras regiões do país, o que reforça o papel do estado como principal polo econômico e sede das grandes empresas do setor. Ao todo, o estudo reúne dados de uma base de 92.223 veículos, o que amplia a representatividade dos resultados.
Segundo o CGFM-SP, o anuário permite que gestores e empresas avaliem se suas políticas e ferramentas estão alinhadas às melhores práticas atuais. O objetivo do levantamento foi mapear o nível de maturidade da gestão de frotas no país, a partir de indicadores operacionais, tecnológicos e estratégicos.
De forma geral, o levantamento aponta um setor mais estruturado, com avanço da terceirização, uso desigual de tecnologia, presença de gestores experientes e desafios persistentes na área de segurança. A seguir, os principais destaques:
A terceirização se consolida como modelo predominante: 73,7% das frotas são terceirizadas. O dado reflete a busca das empresas por maior flexibilidade e menor imobilização de recursos, além de reforçar o papel das locadoras no mercado.
O uso de tecnologia já é realidade nas operações, mas de forma desigual. O cartão combustível está presente em 87,3% das empresas, a política de frota em 85,8% e a telemetria em 76,9%. Já soluções mais avançadas ainda têm menor alcance: softwares de gestão são utilizados por 53,7% das empresas, enquanto câmeras embarcadas aparecem em 26,1%.
A gestão de frotas é liderada por profissionais experientes. Quase metade dos gestores (47,76%) tem entre 41 e 50 anos, e 36,85% acumulam mais de 12 anos de experiência. Além disso, 56,7% possuem pós-graduação ou MBA.
O comportamento dos motoristas aparece como principal desafio do setor. Apenas 41,8% das empresas contam com programas estruturados de segurança, enquanto 58,2% ainda não adotam esse tipo de iniciativa. Os dados indicam espaço para ampliar ações de prevenção, treinamento e direção segura.
O levantamento também evidencia que a presença feminina no setor ainda é minoritária. De acordo com o anuário, 79,1% dos gestores são homens, enquanto as mulheres representam 20,9% dos cargos, o que sinaliza espaço para maior diversidade na área.
O CGFM-SP prevê a realização de uma nova edição do levantamento em novembro de 2026, com o objetivo de dar continuidade ao mapeamento da gestão de frotas no país.
“O anuário tem como objetivo mapear a gestão de frotas no Brasil em diferentes frentes, desde tecnologia e operação até o perfil dos gestores e os principais desafios do setor”, afirma Gleyson Viri, cofundador do CGFM-SP.
Segundo ele, os dados servem de base para a definição de planos de ação e iniciativas para o setor, incluindo projetos voltados à profissionalização dos gestores e o lançamento do livro Frota Descomplicada – Legado do Transporte Brasileiro.
Fonte: AIAFA News
