
Depois de meses perdendo espaço, a venda direta voltou a crescer em setembro de 2026. O canal respondeu por 48,5% dos emplacamentos de carros e comerciais leves no mês e avançou 6,1% sobre agosto, enquanto o varejo de showroom caiu 2,4%, segundo a Bright Consulting. O movimento não muda o desenho do ano, em que o consumidor pessoa física cresce mais rápido, mas mostra frotistas e locadoras de volta às compras no último trimestre.
No ano, a fatia da venda direta caiu de 50,4% em 2025 para 48,4%. Parte da explicação está no próprio varejo: o mercado de setembro foi o melhor do ano, puxado por preço mais agressivo e pelo financiamento no melhor nível em 15 anos.
O peso do canal muda conforme o tipo de veículo. Nos automóveis, 45,9% saíram pela venda direta em setembro; nos comerciais leves, 59,7%. Picape e furgão são ferramenta de trabalho, e o comprador típico é empresa, frotista ou produtor rural. É nesse grupo que entram também os taxistas e motoristas de aplicativo beneficiados pelo teto de R$ 200 mil do Move Brasil.
O caso mais forte do mês é a BYD. A marca emplacou 7.263 unidades por venda direta em setembro, contra 1.253 um ano antes, alta de 479,6%, segundo levantamento publicado pelo Brasil Inovador. Do total de 22.209 carros da marca no mês, cerca de um terço saiu pelo canal corporativo.
O salto conversa com o acordo que pôs 10 mil carros da BYD na frota da Localiza e com a estratégia da marca de usar a fábrica de Camaçari para ganhar escala. No varejo, a marca também segue forte: o Dolphin Mini, com 9.385 unidades, foi o terceiro carro mais vendido do país em setembro, segundo a Fenabrave, a primeira vez que um elétrico chega ao top 3. O eletrificado como um todo teve 22,9% do mercado no mês, pela Bright.
Para quem administra frota, o crescimento do elétrico no canal direto traz uma conta que ainda está sendo aprendida: quanto esse carro vale na desmobilização. Os critérios para decidir estão no guia de quando a eletrificação da frota fecha a conta e no método de custo por quilômetro.
Também pesa a escolha entre comprar e alugar. A terceirização de frota cresce porque transfere o risco do valor residual para a locadora, e o anuário da ABLA mostra o tamanho do setor que hoje compra quase metade dos carros novos do país. Para o consumidor de varejo, o efeito chega depois: o carro que entra hoje na locadora volta ao mercado de seminovos em um ou dois anos e ajuda a formar o preço de revenda.
Fonte: Eixo Motor
