
O mercado brasileiro de veículos eletrificados alcançou uma participação próxima de um quarto das vendas na primeira quinzena de agosto. Segundo levantamento da Bright Consulting, foram 26.370 veículos classificados como eletrificados no período, equivalentes a 26,0% dos 101.457 veículos leves emplacados no Brasil.
O número da Bright, porém, inclui os 2.581 híbridos leves (MHEV) registrados na quinzena. A classificação utilizada pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) não considera os MHEV dentro do grupo de eletrificados. Seguindo esse mesmo critério, o mercado brasileiro teve 23.789 veículos eletrificados, equivalentes a 23,4% de todos os veículos leves vendidos na primeira quinzena de agosto.
Na prática, significa que quase um em cada quatro veículos leves vendidos no Brasil no período foi elétrico, híbrido convencional, híbrido plug-in ou equipado com extensor de autonomia.
Os veículos que permitem recarga externa formam a maior parte do mercado eletrificado. Dos 23.789 modelos considerados eletrificados pelo critério utilizado pela ABVE, 19.535 eram BEVs ou PHEVs, o equivalente a 82,1% do total.
Os elétricos a bateria somaram 11.648 unidades, correspondentes a 11,5% de todos os veículos leves vendidos na quinzena. Já os híbridos plug-in registraram 7.887 unidades, ou 7,8% do mercado total.
Os híbridos convencionais responderam por 3.989 unidades, enquanto os modelos com extensor de autonomia, ou REEV, tiveram 265 emplacamentos.
O resultado mostra que a expansão da eletrificação no Brasil é concentrada principalmente nas tecnologias com possibilidade de recarga externa. BEVs e PHEVs juntos representam mais de quatro quintos do mercado eletrificado pelo critério adotado.
A expansão também aparece na comparação com a primeira quinzena de agosto de 2025. Naquele período, a Bright Consulting registrou 11.029 veículos eletrificados, contra 26.370 neste ano considerando a classificação mais ampla.
Para manter a comparação pelo critério utilizado na matéria, é necessário retirar os MHEV da base atual. Com isso, os 23.789 eletrificados da primeira quinzena de agosto de 2026 representam mais que o dobro do volume registrado no mesmo período do ano passado, mesmo considerando a diferença de classificação.
No acumulado de janeiro a agosto, a Bright aponta 330.258 veículos na categoria ampla de eletrificados, contra 146.976 no mesmo período de 2025, crescimento de aproximadamente 125%.
A evolução mostra que a eletrificação continua crescendo em ritmo muito superior ao mercado geral, que acumula alta de 18,1% no ano.
Os veículos 100% elétricos continuam sendo a principal tecnologia dentro do grupo considerado eletrificado. Foram 11.648 BEVs na primeira quinzena, equivalentes a 11,5% de todos os veículos leves vendidos no país. Os PHEVs vêm logo atrás, com 7.887 unidades e 7,8% do mercado total.
Somadas, as duas categorias chegaram a 19.535 unidades, o equivalente a 19,3% de todos os veículos leves emplacados na quinzena, um market share que já aproxima o Brasil de países mais avançados em eletrificação, como os principais mercados europeus.
Isso significa que quase um em cada cinco veículos vendidos no Brasil no período era um modelo que podia ser conectado à tomada.
Os híbridos leves merecem uma observação específica porque representam um volume relevante. Foram 2.581 MHEV na primeira quinzena de agosto, equivalentes a 2,5% do mercado total.
A tecnologia utiliza sistemas elétricos de menor capacidade para auxiliar o motor a combustão, mas não permite que o veículo seja recarregado externamente e, na classificação utilizada pela ABVE, não é somada ao grupo principal de veículos eletrificados.
A composição das vendas também ajuda a entender a velocidade de crescimento do segmento. Os BEVs responderam por 49,0% dos eletrificados pelo critério utilizado, enquanto os PHEVs representaram outros 33,2%. Juntas, as duas tecnologias chegaram a 82,1% do segmento.
Os híbridos convencionais ficaram com 16,8%, enquanto os REEV ainda têm participação pequena, de 1,1%.
A predominância dos modelos plug-in é importante para o mercado brasileiro porque mostra que o avanço da eletrificação não está ocorrendo apenas pela adoção de sistemas híbridos convencionais. A maior parte do crescimento está concentrada justamente nas tecnologias capazes de utilizar energia elétrica armazenada em baterias recarregáveis externamente.
A expansão dos eletrificados também está diretamente relacionada à chegada de novos modelos, especialmente de fabricantes chineses.
Entre os BEVs, a BYD registrou 7.092 unidades na primeira quinzena de agosto, o equivalente a 60,9% das vendas de elétricos a bateria. O Dolphin foi o modelo mais vendido da categoria, com 3.461 unidades, seguido pelo Dolphin Mini, com 3.221.
Nos PHEVs, a BYD também liderou, com 3.362 unidades e 42,6% de participação. O Song Pro foi o principal representante da marca nessa categoria, com 1.576 emplacamentos.
A força dos modelos de marcas chinesas ajuda a explicar por que a expansão da eletrificação passou a ocorrer também em segmentos de maior volume do mercado, e não apenas entre veículos de preço elevado.
Fonte: InsideEVs
